segunda-feira, 19 de maio de 2014

Singularidade



E ali ficamos... parados entre a impossibilidade e a expectativa, aguardando acontecimentos corriqueiros, fingindo viver as horas cotidianas com a mesma naturalidade de uma vida a dois criada apenas na imaginação, no escopo da insanidade ou na inconstância do desespero.
Na mesma época da lua sangrenta, trazendo mal agouro e chuva forte conhecemos mutuamente as mazelas da ilusão e da força instaurada: entre espelho e fumaças, silhuetas e reflexos,  uma imagem espectral materializada em rancor e decepção.
 
Apesar do imbróglio e da doce esfera onírica, apesar das juras, das verdades incompletas, das meias mentiras... Não era sensato estar num cenário todo feito para o fracasso, para encenação de uma tragédia. 

E aí, num surto surdo de cegueira nos dirigimos a lados diametralmente opostos, em pontos equidistantes chamado singularidade, essa anomalia espaço temporal que um dia foi um ponto brilhante de energia pura, nesse universo cênico e imaginário. 

Voltando ao local que não existia mais, notei fragmentos, pequenos pedaços de mim que permaneceram inertes, presos a fração eterna do tempo.

5 comentários:

Hellen Cristhyan disse...

Perfeito o texto Saulo... Real.

Saulo Madrigal disse...

Obrigadooo. Muito bom quando as pessoas me lêem. ;)

Suelih disse...

Eta, que deu um baque aqui!

Patricia Dias disse...

Adorei o texto. Bjs

BrunoMaximos disse...

E ai vamos atualizar esse blog mano? Ta na hora de juntar os pequenos pedaço inertes que de ti foram achados. E jamais se esqueça: "tem alguém chegando aí"....